sexta-feira, junho 24, 2005

Conclusões sobre o 11-M

"A comissão parlamentar de inquérito sobre os atentados de 11 de Março de 2004 (11-M), em Madrid, apresentou ontem as suas conclusões aprovadas na véspera. As maiores críticas vão para o Governo de José María Aznar, acusado de não ter valorizado a ameaça islamita antes do atentado que causou a morte a 192 pessoas e de ter passado "informação tendenciosa" sobre o ataque (insistindo na pista da ETA) para preservar as hipóteses de reeleição nas eleições de 14 de Março.

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Num relatório de 466 páginas (218 de anexos) dividido em quatro partes - a última, aprovada por unanimidade, com recomendações para evitar novos ataques e melhorar a forma como as vítimas são tratadas - sublinha-se que os autores do atentado "são terroristas islamitas e não têm nenhuma relação com a ETA".

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A forma como o Governo de Aznar lidou com a crise também é alvo de críticas. "É possível afirmar que a atitude do Governo foi exclusivamente motivada por interesses do partido", conclui a comissão parlamentar, lembrando que, mesmo perante "o mais grave atentado terrorista da história de Espanha", nem sequer foi reunido o gabinete de crise. Mais, que foi feita uma "gestão egoísta, centrada na manipulação informativa e no monopólio dos meios de comunicação".

Os media públicos são acusados pela comissão do 11-M de parcialidade ao manter apenas a versão oficial dos factos. A TVE, por exemplo, terá ignorado o telefonema da ETA ao diário basco Gara para negar a sua responsabilidade no atentado e também não terá difundido as declarações do porta- -voz do ilegalizado Batasuna, Arnaldo Otegi, logo dia 11, nas quais este negava que os etarras estivessem implicados nos ataques."


Aquilo de que já todos os espanhóis desconfiavam, mas que em Portugal alguns ainda insistem em negar.