segunda-feira, junho 27, 2005

O velho PS

Uma das características mais atractivas do PS é a sua capacidade para se assemelhar a um filme de pistoleiros com notável frequência. Volta e meia, lá aparecem meia dúzia de personagens a sacar das pistolas e a dar tiros para todo o lado. Inevitavelmente, muitas vezes acertam nos próprios pés.
A comparação pode pecar por exagero, é certo. Mas é um facto que o PS tem uma tendência indomável para trazer as suas lutas internas pelo poder para a praça pública. Uma prática que tem as suas vantagens e desvantagens, como tudo na vida. Desde que José Sócrates chegou à liderança que se passou a assistir a uma inversão nesta tendência. Aliás, para ser rigoroso, a influência de Sócrates já se fazia notar desde o tempo de Ferro Rodrigues. Havia falta de apoio à liderança de FR. Toda a gente o sabia e todos sabiam também de que lado sopravam os ventos de mudança. Mas, exceptuando o desabafo do ex-líder à frente de um microfone, a oposição de Sócrates nunca se mostrou à luz do dia. De tal forma que sempre pareceu menos oposição do que falta de apoio. Uma questão de semântica, dirão uns. Uma questão de método, dirão outros.
O método de Sócrates, posto em prática, portanto, desde cedo, foi especialmente notado na gestão da campanha e na gestão das nomeações para os gabinetes ministeriais. Há que reconhecer o mérito de ter conduzido com tanta discrição dois processos tão complexos e delicados. Poder-se-á afirmar que a sede de poder ajudou a calar as vozes mais reivindicativas. Afinal, uma maioria absoluta chega para apaziguar mesmo os ânimos mais exaltados. Mas a disciplina que Sócrates impôs não se pode negar. Mérito seu.
Os primeiros sinais de desordem vieram, sobretudo, da bancada parlamentar. Especialmente centrados em dois momentos mediáticos: a nomeação de Fernando Gomes para a Galp e o fim das regalias para os deputados. Ainda assim, a contestação caracterizou-se por uma dificuldade em assumir abertamente o confronto e viveu muito de declarações ao abrigo do anonimato. No entanto, este fim-de-semana assistiu-se a uma alteração significativa neste delicado equilíbrio. A propósito da composição das listas para a CML, circularam antagonismos, e respectivos nomes dos intervenientes, na imprensa. As lutas internas pelo poder voltaram aos jornais e ao horário nobre. E mesmo a rápida intervenção de Jorge Coelho não apagou totalmente a primeira imagem do que poderá ter sido o fim do mais recatado PS que conhecemos nos últimos tempos.
Este é o velho PS a que estamos habituados. A partir de agora inicia-se um período particularmente sensível para a liderança de José Sócrates. Um período em que tem muito a provar.

1 Comments:

At 7:03 da tarde, Blogger cparis said...

O problema reside em Jorge Coelho, socialista da velhe escola a quem foi dada carta branca para autarquias.

As picardias são mais que muitas, e o estilo deplorável. Sócrates obviamente não pode acudir a todo o lado, e Coelho faz o que sempre soube fazer. Alimenta ódios e intrigas...

Os resultados não vão ser famosos, mas os socialistas (e Coelho em particular) sabem bem assobiar para o ar. Coelho dirá que a culpa foi de Sócrates por estar a tomar medidas impopulares...

São terriveis os candidatos do PS para algumas autarquias (Coimbra, Figueira da Foz)... Acho que nem a oposição escolheria melhor....

 

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