terça-feira, julho 19, 2005

A utilidade de compreender

Tzvetan Todorov foi um dos autores que se dedicou a reflectir sobre o contacto entre culturas. Nomeadamente, com o objectivo de encontrar uma via entre a xenofobia e a xenofilia. Argumenta então Todorov que a compreensão das outras culturas é vantajosa não só na medida em que nos fornece um quadro mais fiel do outro, mas sobretudo porque nos possibilita um olhar mais agudo sobre a nossa própria realidade. Perceber o outro é também uma forma de aprender sobre nós mesmos. Esta perspectiva revela-se muito pertinente quando se sabe que os atentados de Londres não foram levados a cabo por imigrantes.
Não é necessário legitimar uma boa argumentação indo buscar nomes consagrados que partilham ou partilharam a mesma ideia. Por essa blogosfera tem havido uma profusão de textos muito bons sobre a necessidade de entender o fenómeno das formas actuais de terrorismo para melhor o combater. Mas, ainda assim, com a igual quantidade de opositores a esta concepção, não é demais relembrar um autor que se dedicou, com lucidez, a esta temática. Até porque há quem confunda a compreensão com a aceitação ou a capitulação. A compreensão do outro não inviabiliza o juízo moral sobre os seus valores, tal como não pressupõe uma assimilação cega nem uma recusa obstinada dos seus modelos culturais. Permite, isso sim, uma visão crítica mais informada da realidade. Quem não perceber isto só vai acertar nas medidas mais correctas para combater o terrorismo como quem acerta no Totoloto: por mero acaso.

2 Comments:

At 12:52 da manhã, Blogger lb said...

"A compreensão do outro não inviabiliza o juízo moral sobre os seus valores, tal como não pressupõe uma assimilação cega nem uma recusa obstinada dos seus modelos culturais."

Isso mesmo!

 
At 9:55 da manhã, Anonymous Anónimo said...

El semiólogo bulgaro Tzvetan Todorov candidato al Premio Principe de Asturias con Jurado presidido por Don Manuel Fraga Iribarne

 

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